quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Abrace essa Cruz!


Abraços Partidos

Pedro Almodóvar é um daqueles diretores que vamos assistir aos seus filmes já sabendo o que esperar. E sempre nos surpreendemos. Dessa vez, ele nos surpreende pela sutileza. Abraços Partidos é um filme sutil.

Quase dá vontade de dizer que a história não interessa muito, mas é mentira. Interessa sim, e muito. Mas o encanto com os personagens e a cena em si é tão grande, que, por vezes, nos esquecemos da história. A trama do diretor que fica cego e assume um novo nome é cativante. E Lluís Homar dá (a) vida a esse personagem de maneira magistral. Sem exageros nem economias, no ponto. E ele contracena com uma Blanca Portillo que está no mesmo nível contensão. As relações de amizade e familiares são exploradas de maneira carinhosa, mas crítica. Em outros filmes do diretor espanhol, essa explicação seria ao contrário (crítica, mas carinhosa). A maturidade da direção faz a história se desenrolar com mais tranquilidade. Mas eis que aparece a Penélope Cruz. Ah, Penélope. Ela está mais linda do que nunca e, sob a direção do Almodóvar, repete suas grande atuações no cinema espanhol. No cinema americano, ela só conseguiu uma atuação (e que atuação!) como essa com o Woody Allen em Vicky Cristina Barcelona, que lhe valeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Não volte aos EUA para filmar. Fique na Espanha. E com uma boa trama para levar.

A personagem de Penélope Cruz é a chave (de cadeia) que desestrutura as vidas de 2 homens. E, a partir desse conflito, o filme se desenrola. A trilha sonora tem um quê das trilhas que o Bernard Hermann compunha para o Hitchcock. Alberto Iglesias faz uma clara homenagem ao grande mestre das trilhas sonoras, principalmente nas cenas de suspense.

Os diálogos são primorosos, cheios de frases de efeito, direcionadas uma a uma para pontuar os sentimentos no filme. Fotografia e direção de arte estão perfeitas. Som, figurino, tudo perfeito. Mas o que chama a atenção mesmo é a dupla Almodóvar/Cruz. Ele, sutil, refinado, econômico. Ela, extravagante, dominadora, sensual, provocante. Abraços Partidos não é melhor que Fale Com Ela, mas chega perto. Não há mocinhos e bandidos, e todos têm uma cruz para carregar. E se for para carregar uma cruz, que seja a Penélope. Ah, Penélope...

3 comentários:

Rodrigo Menezes disse...

Eu assisti Abrazos Rotos no Festival do Rio e concordo com você. Almodóvar está divino nesse filme; ele e Penélope batem um bolão...

Pat Siciliano disse...

É, meu amigo, fiquei até com mais vontade de assistir ao filme.

Quanto à Penélope Cruz, eu concordo: ela é uma atriz incrível - quando interpreta em sua língua pátria. Ela nunca ficou confortável falando inglês, ain't it? :)

kaorutayuu disse...

desembestou agora! \o/
ainda preciso ver esse filme.
seu texto vicia, genial =0)